Houthis do Iémen reclamam controlo do estratégico estreito de Bab el-Mandeb

Houthis do Iémen reclamam controlo do estratégico estreito de Bab el-Mandeb

O controlo pelos houthis do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, pode dar ao Irão uma vantagem crucial na guerra com os Estados Unidos.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Pleiades Neo © Airbus DS 2026 via Reuters

Os houthis do Iémen, pró-Irão, reivindicaram esta sexta-feira o controlo da ilha estratégica de Perim, no Estreito de Babel-Mandeb. Segundo fontes do Governo iemenita, trata-se de uma tentativa de reforçar o controlo sobre uma rota marítima global vital no contexto da guerra no Médio Oriente.

Outras fontes do Governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, avançaram que as suas forças se retiraram da ilha de Perim e que os houthis também tinham tomado a cidade de Dhubab, na costa do Mar Vermelho, assim como outros distritos ocidentais.

"Tudo o que estava sob o nosso controlo na costa ocidental caiu", disse uma das fontes iemenitas à agência de notícias France-Presse.

Se os houthis assumirem efetivamente o controlo do Estreito de Bab el-Mandeb, que se situa no lado oposto da Península Arábica em relação ao Estreito de Ormuz, poderão dar ao Irão uma vantagem crucial na guerra com os EUA, reduzindo os abastecimentos através de um segundo corredor importante e elevando ainda mais os preços do petróleo.

A Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo e aliado próximo dos EUA, tem dependido da rota do Mar Vermelho desde que o conflito fechou o Estreito de Ormuz, por onde antes passava cerca de um quinto do comércio global de petróleo.Príncipe herdeiro saudita terá pedido ajuda militar a Trump contra os houthis
Segundo duas fontes auscultadas pela agência Reuters, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, solicitou na quinta-feira a ajuda do presidente Donald Trump para combater os houthis do Iémen.

Trump terá mantido pelo menos duas conversas telefónicas com o líder saudita na quinta-feira, segundo estas fontes.

O portal Axios avançou que, na segunda chamada de bin Salman a Trump, o saudita pediu que os EUA lançassem ataques aéreos contra os houthis.

Trump terá comunicado a Riade que não estava disposto a tomar medidas militares diretas por enquanto, mas que ajudaria na partilha de informações de inteligência e na identificação de alvos.

Segundo o Axios, Donald Trump alegou que pretende manter o foco na guerra lançada em conjunto com Israel, em 28 de fevereiro, contra o Irão, abstendo-se de abrir uma nova frente de combate.

“Os Estados Unidos estão focados em proteger os nossos interesses fundamentais de segurança nacional, nomeadamente garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho, ao mesmo tempo que capacitam os nossos parceiros regionais para assumirem a liderança na gestão e resolução dos desafios de segurança regionais”, afirmou um responsável da Administração Trump à Reuters.
Sistema de oleodutos da Arábia Saudita atingido por projéteis

Entretanto, imagens de satélite agora divulgadas revelaram que, na quinta-feira, um importante sistema de oleodutos na Arábia Saudita foi alvo de projéteis que iniciaram incêndios.

O oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita tornou-se, devido à guerra, um meio vital para o reino desviar as exportações de petróleo de Ormuz.

Esta sexta-feira, as autoridades sauditas anunciaram o encerramento temporário do oleoduto. “O oleoduto foi encerrado por precaução”, declarou um responsável do Ministério da Energia, acrescentando que os ataques ocorridos na manhã de quinta-feira causaram vários feridos.

Não foi confirmada a autoria dos ataques nem se existem danos em secções do próprio oleoduto, mas um funcionário norte-americano ouvido pela CNN Internacional afirmou que as instalações foram atingidas por drones provenientes do Iraque.

A oferta de petróleo saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto para 6 milhões de barris, o nível mais baixo em mais de três décadas, de acordo com a Agência Internacional de Energia. A descida aconteceu em parte devido aos ataques a navios que transitavam por Bab el-Mandeb por parte de grupos ligados aos houthis.

c/ agências
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